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Por que empresas podem ser boas em resolver problemas sociais?

Texto retirado do TEDTalks - Michael Porter: Why business can be good at solving social problems

Temos escutado, nas últimas décadas, sobre o acumulo de grandes problemas. Problemas ambientais, problemas sociais, toneladas de lixo que vão para o mar todos os dias, bilhões de metros cúbicos de CO2 entupindo nossa atmosfera, prospecto de falta de agua, transito, segurança, saúde... São tantos que, se você realmente parar para acompanhar, acaba por se sentir negativo com a vida.

Acontece que, de fato, são problemas que sempre existiram, apenas em uma escala menor. A maior diferença, realmente, entre a época em que vivemos para qualquer outra época de que tenho conhecimento, é nossa consciência sobre isso.

E por que então temos tantos problemas para enfrentar essas adversidades? As empresas podem ter algum papel na mudança desses paradigmas?

O pensamento atual é que os negócios são a fonte dos problemas. As indústrias farmacêuticas estão desacreditadas, os fast-foods são taxados como escravaturas e fontes de problemas de saúde, químicas e manufaturas apenas produzem lixo e acidentes. E de fato, em alguns casos isso é correto, existem muitos exemplos ruins.

Sendo assim, tendemos a enxergar a resolução destes problemas no formato de ONGs, de projetos filantrópicos, esperando que o governo os resolva. Este formato vem crescendo hoje em dia, com várias ideias formando organizações em prol de um bem comum, cheios de energia positiva e talento!

Mas com esse formato, ainda não conseguimos vencer os problemas. A solução não é escalável. E porque não é escalável? A resposta é simples: não temos recursos. Não existem recursos suficientes disponíveis para que estas organizações escalem suas soluções de forma a impactar realmente o meio. E novamente, porque? ONGs, governos, não produzem recurso. São formatos de trabalho que apenas administram recursos recebidos de alguma forma. E não existem receitas tributarias, nem doações suficientes.

E então, finalmente, entra em cena uma visão 2.0 dos negócios.

Negócios criam riqueza quando atendem necessidades, e a partir disso, geram lucro. Toda riqueza é formada dessa forma. Esse lucro gera impostos, leva a renda, possibilita a doações para caridades, mas são todas captações de renda a serem geridas. Mas os recursos vêm de uma troca voluntaria de produções, que elevam o valor de uma matéria. Em torno de 80% dos recursos estão todos alocados em negócios!

Esse lucro é o indicador magico de que as coisas funcionam! Com ele podemos escalar qualquer solução por dez, mil, um bilhão! Mas seguir com o pensamento de que as empresas deveriam realocar esses lucros, não está nos levando onde precisamos ir.

Segundo Michael Porter, professor de estratégia, ao longo dos anos trabalhados não somente com estratégias de mercado, mas também com meio ambiente, desenvolvimento econômico, redução da pobreza, algo mudou sua visão. O ponto comum que temos hoje é de que existe um desequilíbrio entre desempenho social e desempenho econômico. Como se o lucro viesse de um déficit no desempenho social:

Diminuir emissão de carbono é muito trabalhoso.

Para se garantir segurança no trabalho são necessários muitos equipamentos e processos.

Economizar energia requer trocar todas as lâmpadas incandescentes por LEDs, que custam cinco vezes mais.

Mas quanto mais ele tentava mudar a realidade através das suas tentativas, mais ele constatava o contrário! Gerar problema social não tem relação alguma com lucro! De forma alguma! O verdadeiro lucro vem da resolução destes problemas!

Poluição nada mais é do que uma má gestão do uso dos recursos! Uma empresa segura é uma empresa na qual os funcionários não faltam, são mais felizes e produtivos, os processos são mais eficientes. O investimento em novas tecnologias se paga em até médio prazo!

Não existe desequilíbrio algum!

Podemos usar a escalabilidade do lucro com as soluções da problemática social!

O Geração de Valor, com seu novo slogan “Investir no ‘NÓS’ traz resultado para o ‘EU’” provém de um longo trabalho informativo voluntário, que gerou milhões de seguidores para ele, elegendo ele como uma das autoridades mais admiradas do Brasil. A venda de alimentos orgânicos, sem produtos químicos, cresce cada dia mais. O plástico está caindo em desuso, sendo substituído por amidos e fungos. E tudo isso está trazendo lucro! Está gerando o chamado Valor Compartilhado.

Estamos chegando no nosso Capitalismo 2.0, onde pensamos em um produto não de forma a monetizá-lo, mas de forma ao seu uso e suas qualidades! Juntamos o valor social com o valor econômico para gerar valores compartilhados!

É como o mercado deveria funcionar: respondendo a necessidades importantes! E não competir por diferenças triviais em produtos ou quotas de mercado. Podemos atingir necessidades sociais através de produtos, utilizar recursos e processos de maneiras mais eficientes, trabalhar para evoluir o próprio meio ambiente.

Mas é lógico que não devemos pensar que somente as empresas farão um bom uso disso. As ONGs e os governos têm seu papel importante nisso. Simultaneamente, saíram na frente quem soube interagir eficientemente. ONGs e governos que conversam bem com o mercado.

Com tudo isso, temos uma solução para uma melhoria drástica no mundo.

Chegamos até aqui a partir de décadas de questionamento, da revolução industrial até a era da informação, sobre nosso modelo de negócios.

Quando conseguirmos mudar a visão das empresas sobre elas mesmas, e a nossa visão sobre elas, conseguiremos então atingir esse novo modelo, onde o valor de um produto será intrínseco a sua contribuição ao nosso meio!

Depende unicamente de nós!

Vamos trabalhar juntos? 
Fale com a gente.